O falso feminismo de silicone

Publico aqui mais um bom texto que me chegou por uma das muitas e profícuas listas de e-mails das quais participo. A continuar nesse ritmo, logo aposentarei a pena e empreenderei uma casa editora.

Quando deitei os olhos no escrito, uma cena logo me veio à mente. Conversava sobre as donas de casa. Minha interlocutora era uma criaturinha leviana, que nunca tendo vendido sua força de trabalho, se achava profundamente “moderna”, “avançada” e “Livre” por gastar o dinheiro de seus progenitores com infindáveis e estúpidas festas, viagens, best sellers, modas e toda essa porcaria.

Cumprimento o autor do texto por ter sintetizado de forma cristalina nossas opiniões sobre este tipo de “mulher moderna”, que as vejas do mundo não se cansam de exaltar.

As mulheres que efetivamente estão nos parlamentos, no mercado de trabalho, ou de forma ainda mais notável, sustentando e educando sozinhas suas famílias (aí inclusos seus machos relapsos) são de natureza muito diversa destas que se perdem nas teias da cosméticas e das vaidades que o fetiche do homem cria. A estas primeiras dedico o post.  

 

O falso feminismo de silicone
É costume dizer que o feminismo está morto. As mulheres teriam conquistado seu lugar ao sol. São maioria entre os trabalhadores, consumidores e eleitores. Há mulheres no parlamento e nos governos. Podem ser vista à frente de grandes empresas.

Quase tudo nessas afirmações é aparência. As mulheres são maioria no mercado de trabalho, mas de forma desigual. A maior parte dos postos de direção e gerência é ocupada por homens. Assim mesmo, os salários são sempre menores para elas.

No Congresso Nacional, parlamentos em geral e governos a visibilidade acontece exatamente porque a presença feminina continua rara. Nada rara é sua exposição como objetos em tudo isso. “Elas enfeitam o cenário”, dizem os machistas, que continuam na direção do espetáculo.

Não à toa o Brasil é um dos líderes mundiais em cirurgias plásticas. Cerca de 70% delas são de caráter estético. Mais de 80% feitas em mulheres. Nos Estados Unidos e Europa, começa a fazer sucesso a labioplastia. Uma intervenção cirúrgica nos lábios vaginais. Grande parte delas nada tem a ver com correções necessárias à saúde.

É o novo machismo travestido de feminismo. Beleza e sensualidade seriam direitos conquistados pelas “mulheres emancipadas”. Além de cuidar da casa, dos filhos e ser competente na profissão, elas também têm que atender exigências impostas pelo mercado erótico.

Se isso pode ser massacrante para quem tem algum dinheiro, imagine para a grande maioria. Aquelas que mal conseguem comprar roupas novas.

Mulheres que denunciam essa situação são consideradas amargas, ressentidas, chatas. “Deixem disso” dizem os meios de comunicação. “Corram para os cirurgiões, cabeleireiros e liquidações. Rendam-se ao silicone e às próteses”. É o machismo cirurgicamente renovado pelos poderosos.

Sérgio Domingues
http://pilulas-diarias.blogspot.com

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