Arquivo para EUA

Sobre os EUA, o Irã e o Twitter

Posted in Humanidade bizarra with tags , , , , , on 05/09/2009 by blogdobatman

Em declarações recentes feitas à CNN, a secretária de estado Hilary Clinton confessou algo que talvez desanime os crentes da “democracia liberal”: os EUA e seus amigos tiveram um grande papel na “revolução verde” do Irã, aquela na qual a elite iraniana pró-ocidente reclamou dos resultados eleitorais que deram a vitória ao atual primeiro ministro, Mahmoud Ahmadinejad.  Hilary confessou que os EUA ajudaram os colegas persas até mesmo forjando mensagens falsas de iranianos no Twitter. Sinal dos tempos: em vez de fomentar os golpes com fuzis, os EUA agoram o fazem com #hashtags.

revolução verde

A “revolução verde” do Irã (que aliás foi celebrada com deslumbramento torpe por grande parte da mídia tupiniquim) pertence à um esquema de produção em massa de “revoluções democráticas” nos países do Oriente Médio, por parte dos EUA. Foi precedida, por exemplo, pela “Revolução Rosa”, na Geórgia, em 2003, pela “Revolução Laranja”, na Ucrânia, em 2004, e pela “Revolução Amarela” de 2005 no Quirquistão, onde aliás os EUA mantém a base militar de Mana, fundamental para os interesses da superpotência na Ásia Central. Não podemos esquecer que até mesmo o Brasil participou de certa forma dessa situação, já que o maldito golpe militar de 1964 contou abertamente com o apoio norte-americano. Fomentar esses golpes sangrentos é apenas uma das formas usadas para submeter os povos ao julgo imperialista.  

nativa(?) deslumbrada com a "democracia"

nativa(?) deslumbrada com a "democracia"

Aqueles que não acreditam nas fábulas e nos rostinhos bonitos tem a medida exata do quanto (e é bastante) nós vivemos “dias interessantes”. A experiência dos EUA e da CIA em implantar “revoluções” mundo afora é reconhecida até mesmo nas anedotas. Sabe por que não acontecem “revoluções” nos EUA? Porquê lá não há embaixada americana.

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Memórias de Woodstock: o gay que salvou o festival

Posted in Amenidades with tags , , , , , , , , , , , , , , on 16/08/2009 by blogdobatman

O festival que mudou o mundo faz aniversário, e já tem quarenta velinhas em seu bolo. Depois de todo esse tempo, muito já se sabe sobre ele – quase tudo. O que é inédito para a maioria é a história de Elliot Tiber, “o gay que salvou Woodstock”.

Elliot Tiber em 1969 à esquerda e foto recente à direita: o charme em pessoa

Elliot Tiber em 1969 à esquerda e foto recente à direita: o charme em pessoa

A 145 km de Nova York de 15 a 17 de agosto de 1969 ocorreu a maior festa em prol da nova música, do amor livre; dos ideais de liberdade sexual, cultural, ideológico; do espírito comunitário, da paz. O festival aconteceu em Bethel, Nova York, mas, se não fosse Elliot, muito provavelmente não teria acontecido. O que sucedeu foi o seguinte: o festival já estava planejado para ser realizado em Wallkill, mas a câmara de vereadores local vetou o evento. Correm boatos de que um primo e um tio de Sarney eram vereadores, mas ninguém confirma. Enfim, o veto deixou Michael Lang – que estava produzindo o projeto – com um superproblema, já tendo sido gastos mais de 2 milhões de dólares. Eis que entra em cena nosso salvador, Elliot Tiber, que trabalhava num hotel de beira de estrada que seus pais haviam comprado, e teve a iluminação: “nós podemos sediar o festival”.

Capa do livro versão brasileira

Capa do livro versão brasileira

Elliot acaba de lançar um livro, de título Taking Woodstock (abrasileirado Aconteceu em Woodstock), em que conta tudo sobre a organização, o ritmo alucinante do evento, das frias e das glórias conquistadas. O livro serviu de base para uma comédia de Ang Lee, que chega aos cinemas no final deste mês, e que promete uma nova luz sobre o evento. Link para entrevista completa no G1: http://migre.me/5gP3

Por mais que os hippies americanos não tenham sido tão politizados quanto os universitários parisienses, a luta por uma moral mais branda foi mútua e importantíssima. E se hoje temos liberdades, opiniões, e direitos (como criar um blog para falar qualquer coisa), os devemos, inclusive, a pessoas como ele, Elliot Tiber.